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CAPÍTULO 1
Já há algum tempo, que
tinha em mente a abordagem à Casa do Concelho de Sabugal, assim sendo,
vou intercalando com o que tenho vindo a disponibilizar, alguns artigos
que vão ter como tema, contributos sobre a embaixada sabugalense, assim
considerada por muitos arraianos, cujo nascimento data do já longínquo
ano de 1975 em Lisboa, dando a conhecer aos mais jovens, ou outros menos
atentos, algumas actividades relevantes, que a Casa desenvolveu ao longo
de mais de três décadas de existência.
Em tempos, trouxe à estampa
alguns jornais da época, onde tive a oportunidade de colaborar, bem como
outros sabugalenses, norteando-nos a intenção de ajudar em algo que
valorizasse o Concelho e toda a nossa região, numa altura cheia de
alguma efervescência politica, fruto da Revolução dos Cravos, em 25 de
Abril de 1974, com a instauração da democracia, a que tive a fortuna e o
privilégio de acompanhar de perto, no dia fatal para o anterior regime.
Depois da tentativa das
Caldas da Rainha, um pouco antes, sentia-se no ar, as conversas para aí
incidiam amiúde, que não passaria muito tempo, a que de novo, outras
investidas tomassem a dianteira e, bem depressa, que já tardava a chegar
a liberdade, como viria a acontecer.
Antes de historiar um pouco
da C.C.Sabugal, deixo aqui o tributo, bem merecido, por sinal, a dois
órgãos de informação, com ligação à Casa, que tiveram um papel
primordial na sua implantação e divulgação, sendo certo, que foram
veículos informativos fundamentais, difundindo factos e notícias que ao
Concelho e à Casa diziam respeito, transportando mensagens, acabadas de
nascer, entusiasmando outros tantos a colaborar, sem receios de espécie
nenhuma.
É da mais elementar
justiça, dar-lhes o devido realce e mérito, reconhecido por todo o
pessoal da época e ainda hoje, que com estes factos lidou mais de perto.
“O CONCELHO DO SABUGAL” em
formato de revista, era propriedade do Dr. Antero de Seabra, um dos
fundadores da C.C. Sabugal e seu primeiro Presidente da Direcção, a que
nos reportaremos aí mais para a frente, onde se abordaram diversificados
assuntos, com uma grande parte dos escritos a serem dedicados às
actividades da Casa. Apesar de não ser o órgão oficial, prestou toda a
colaboração precisa, sem qualquer ónus, para as débeis finanças de uma
associação, no dealbar dos seus primeiros passos.
“SABUGAL” jornal em formato
A4, sob a superior direcção do saudoso amigo João Leitão, teve o seu
início em Março/Abril de 1978, sendo o 1.º órgão oficial, noticiando
todas as actividades da Casa, para o qual foi criado, abrindo com uma
Saudação a todos os Sabugalenses, alargada às várias entidades e
associações do Concelho, acrescido de um editorial, onde se explica as
razões do seu nascimento.
Durante este ano de 1978,
coabitaram estes dois órgãos, noticiando todas as actividades. “O
Concelho do Sabugal” viria a terminar em finais deste mesmo ano,
continuando o novel “Sabugal” a desempenhar a sua missão durante uns
anos, sendo suspensa a sua publicação em Março de 1988, ao fim de 43
números, regressando em Fevereiro de 1993, prolongando-se até Maio de
2000, atingindo o seu número 127. Até aos nossos dias, o vazio
manteve-se, em termos de comunicação escrita da Casa.
Sucintamente, aqui fica uma
primeira introdução à história da Casa e a estes dois meios de
comunicação, que me vão ser muito úteis nestes escritos, relembrando
alguns factos relevantes, debaixo da alçada da embaixada Sabugalense em
Lisboa.
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CAPÍTULO
2
À chegada a Lisboa, todos
os jovens oriundos da nossa região, tinham como poiso habitual, o famoso
Café Império, na Alameda D. Afonso Henriques, bem próximo do Areeiro,
onde mais tarde, haveria de se fixar a sede da Casa, ali confluindo,
vezes sem conta, principalmente, depois de mais um dia de trabalho,
onde, em amena cavaqueira, eram dissecadas as novidades das nossas
terras, bem como as habituais sessões de jogar conversa fora, próprias
da juventude irrequieta daquela época.
Em 1973, um grupo de jovens
deu início ao primeiro movimento, no sentido de juntar todos os naturais
sabugalenses em Lisboa, abordando alguns assuntos, de âmbito económico,
social, cultural e outros, que pudessem contribuir para uma melhoria e
desenvolvimento do Concelho.
Derivado à situação
politica que ainda se vivia nesta altura, de algum receio, estas
intenções serviram apenas para o início e reforço do grupo, pouco mais
se podia avançar.
Implementada a liberdade em
25 de Abril de 1974, com o Movimento dos Capitães, novo impulso surgiu
com as reuniões no Instituto Superior Técnico, aglomerando muitos mais,
debatendo-se o atraso que se verificava no Concelho, surgindo então
algumas propostas, no sentido de se fazer alguma intervenção,
esclarecendo as pessoas sobre diversos temas, tendo como objectivo, o
progresso das nossas terras. Como é demais sabido, o nosso Concelho era
dos mais atrasados do País, em termos de infra-estruturas, como a saúde,
água, electricidade, esgotos, estradas e outros tantos, acrescido das
fracas condições de vida da população.
Tiveram então lugar duas
reuniões, a 26 de Maio e a 7 de Junho de 1974, com um programa já
ambicioso, sendo constituídos quatro grupos de trabalho, com a
incumbência de elaborar algumas propostas, sobre politica, cultura,
educação, economia e trabalho, de modo a serem apresentados na reunião
seguinte, aprazada para 16 de Junho.
Entretanto, foi decidido
marcar para 9 de Junho, no Sabugal, com a participação de alguns
elementos dos grupos de Lisboa, uma sessão de esclarecimento, no cinema
D. Dinis, a qual se revelou muito concorrida, com a presença de cerca de
400 pessoas, que ouviram com atenção as opiniões dos jovens vindos de
Lisboa, debatendo-se ainda, tudo o que poderia ser de interesse para o
Concelho, defendendo os seus direitos, em conjunto com as comissões de
moradores das povoações, que estavam no seu início, concluindo-se que as
prioridades recaíam sobre as situações económica, politica e cultural,
sendo necessário a organização do povo do Sabugal.
Regressados a Lisboa,
intensificam-se as reuniões no Instituto Superior Técnico, previamente
convocadas, surgindo através de panfletos colocados, estrategicamente,
nas entradas do Metro de Lisboa, com os dizeres “Para um Sabugal Melhor”
convidando os sabugalenses a participar, todas as sextas-feiras no
Técnico, aumentando o entusiasmo e comparecendo cada vez mais pessoas do
Concelho a residir na grande região de Lisboa, desejosas de colaborar,
intervindo activamente nestes debates, com as diversas propostas a serem
discutidas calorosamente, sentindo-se que a união constituiria uma força
para levar por diante as iniciativas aprovadas.
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CAPÍTULO 4
Conforme referido nos
escritos anteriores, o grupo que iniciou os encontros de sabugalenses em
Lisboa, antes da primeira convocatória para as reuniões do Instituto
Superior Técnico, foi constituído por João Leitão, José Correia, Álvaro
Corte e Ramiro Matos, podendo ainda existir outros mais, que partilharam
estes encontros. Como não há grandes registos, torna-se difícil a
lembrança de mais nomes da época.
A primeira reunião, no
Técnico, em 26 de Maio de 1974, foi convocada por José Sapinho, actual
Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Ramiro Matos e o João
Leitão, falecido recentemente e, bem conhecido de todos nós, tendo
participado, entre muitos outros, a Amélia de Rendo, João Quelhas
Sanches de Aldeia da Ribeira, José Correia do Baraçal e a Anita de
Aldeia Velha.
Para além destes e dos
sócios considerados fundadores, referenciados no artigo anterior,
destaque ainda, para o grupo dos Jornais “A Luta” e “Terra Fria”,
constituído por José Correia, Ramiro Matos, Manuel Peres Sanches, João
Leitão, João Quelhas Sanches, José Paula e o autor destas linhas, grupo
este, com uma participação activa nas várias acções, noticiando, tanto
as realizações da Casa, como ainda toda a actividade, que se ia
desenvolvendo no Concelho, contribuindo com a sua acção, para que a Casa
se tornasse uma realidade em Lisboa, naquela época.
Apenas uma curiosidade, dos
elementos deste grupo dos jornais, apenas três fizeram parte dos
primeiros Corpos Sociais da Casa, eleitos em 1976, o João Leitão, José
Paula e este vosso amigo.
Uma referência saudosa,
para alguns associados ilustres, já falecidos, a quem a C.C. Sabugal
muito ficou a dever, como Afonso Pinheiro, Ti Alberto Carriço, Chico
Engrácia e João Leitão, entre muitos outros, a quem dedicarei, aí mais
para a frente, algumas palavras.
Já lá vão mais de três
décadas, certamente, ficarão muitos mais nomes sem uma referência, o que
é extremamente injusto, estou a citar alguns de memória, deixando um
pedido de desculpas a todos eles.
Com tempo, alguém daquela
altura, se há-de recordar, competindo-nos, porque é da mais elementar
justiça, fazer as devidas e merecidas compensações, trazendo-os ao
conhecimento de todos. Seguramente, serão mencionados, como não podia
deixar de ser.
Igualmente, uma palavra de
realce, para todos os que foram comparecendo nas várias reuniões do
Técnico, contribuindo do seu jeito, com maior ou menor participação,
para o arranque da C.C.Sabugal. No fundo, a sua presença também foi
deveras importante, dando algo à Casa e ao Concelho.
Um dos objectivos
fundamentais da nova Associação regionalista, foi a necessidade de se
implementar a grande embaixada sabugalense em Lisboa, onde as
prioridades determinantes, conforme os Estatutos, seriam fomentar o
desenvolvimento económico, social, cultural, defender o património
monumental e histórico, patrocinar realizações de carácter cultural,
artístico e recreativo, bem como a colaboração com os organismos
oficiais nas iniciativas, que visam o desenvolvimento e promoção do
Concelho de Sabugal, mantendo-se até aos nossos dias.
Estava, finalmente, fundada
a Casa do Concelho do Sabugal, com a sua sede na Av. Almirante Reis,
256-2º Esq. até aos dias de hoje, onde se podiam debater todas as
situações em prol do Concelho, servindo, ao mesmo tempo, de apoio às
forças das diferentes Aldeias, interessadas no seu progresso, reforçando
ainda, os laços da nossa gente em Lisboa, ponto de encontro obrigatório,
com uma farta fatia de juventude, ansiosa e entusiasmada em colaborar
num projecto acabado de nascer e com uma vontade enorme, de fazer algo
pelas suas terras, que na época vivia e trabalhava espalhada por toda
esta região, tal como ainda hoje acontece.
Os próximos artigos serão
dedicados ao trabalho da Comissão Instaladora, com algumas recordações
inéditas, que tantas consumições deram naquela época, sendo
referenciados mais alguns nomes, que com esta colaboraram até às
eleições, focando as realizações da Casa, nos primeiros anos de vida,
com destaque para as actividades de convívio, culturais e desportivas,
próprias de uma associação deste tipo, bem como outros programas levados
a efeito na sua sede, transbordando de gente do Sabugal e outros amigos,
a cada evento.
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CAPÍTULO 5
Consumada a
fundação da Casa, vamos agora destacar todo o
trabalho da Comissão Instaladora, que passou a
reunir na Casa das Beiras, situada no andar de
baixo, mediante o pagamento de cem escudos
mensais, a partir de 10 Julho de 1974, enquanto
não se encontrou a sede própria, terminando as
reuniões no Técnico, a partir desta data.
Antes do início das reuniões neste local, já
havia sido decidido realizar o primeiro convívio
de sabugalenses, ficando o Sr. Alberto Gata
encarregue de fazer os devidos contactos com o
Seminário dos Olivais, sendo marcado para o dia
14 de Julho.
Na primeira reunião da Comissão Instaladora na
Casa das Beiras, no dia 10 de Julho, foi posto à
consideração o seguinte: Adelino Dias defendeu
que a «Casa» deveria ser um lar económico para
os sabugalenses, principalmente para os
estudantes. «Deve ter condições para receber
todos os que a visitem e para nela se efectuarem
conferências de carácter rural, cultural,
regional, nacional e recreativas».
Concordou-se em divulgar no próximo convívio, a
realizar no Seminário dos Olivais, que se está a
redigir o projecto dos estatutos e, se aproveite
para recolherem os nomes dos futuros sócios,
para além de se angariarem ofertas, para fazer
face às primeiras despesas.
Na reunião seguinte: Congratulação pelo grande
convívio realizado na mata do Seminário dos
Olivais em 14 de Julho, merecendo honras de
notícia pelos Jornais, Amigo do Sabugal, A
Guarda, Diário Popular e Diário de Notícias.
Importa referir que este convívio foi uma das
primeiras realizações da Comissão Instaladora,
tendo um grande sucesso, em termos de
participação, conforme documenta a foto deste
dia, oferecida pelo Sr. Álvaro Valverde, que fez
a reportagem fotográfica, servindo ainda para
uma aproximação das pessoas do Concelho. De tudo
um pouco se passou, para além de um grande dia
de convívio com sardinhada, petiscos, muitas
opiniões e conversas sobre o Concelho e a sua
futura Casa em Lisboa, aproveitando-se para
angariar mais sócios e algumas dádivas para a
Casa.
As reuniões seguintes foram dedicadas à feitura
dos estatutos, decidindo-se ainda, na 12.ª
reunião, em 9 de Outubro, encarregar o Sr.
Alberto Gata de organizar um Magusto, para aí se
promover a Casa do Concelho.
Na reunião seguinte, 13.ª em 17 de Outubro de
1974, o Dr. Fitz Quintela apresentou conta
corrente dos fundos da futura Casa do Concelho
do Sabugal, sendo a 1ª vez nesta data, que assim
aparece identificada nas actas. Até esta
reunião, fora sempre chamada a «Casa do
Sabugal».
Dr. Antero Seabra informou que já pagara à Casa
das Beiras a utilização das instalações.
Alberto Gata conseguiu a marcação do Magusto
para o dia 10 de Novembro de 1974, na Quinta das
Irmãs Maristas, na Estrada de Benfica.
Tal como anunciei no último escrito, fica o
registo de nomes, que assistiram, entre outros,
a algumas reuniões da Comissão Instaladora,
como, Pedro André Gonçalves, Dr. Aurélio Matias,
Dr.ª Amélia Martins, Joaquim Pires Paula, José
Correia, João Leitão, Augusto Gonçalves, Júlio
Casanova Nabais, Ramiro Matos, Isabel Franco,
José António Pires Paiva, José Dinis Morgado,
Carlos Santos, Carlos André Neves Rodrigues,
André Neves Rodrigues, Joaquim Augusto da
Fonseca Corte, Amândio Francisco da Rosa,
António César Marques Gata e João Quelhas
Sanches.
Certamente, outros mais haverá, que também
colaboraram e surgirão, aí mais para a frente.
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CAPÍTULO 6
Na Casa das Beiras
continuaram as reuniões da Comissão Instaladora, trabalhando nos
estatutos e discutindo outros assuntos de interesse para a Casa.
Decorrido o Magusto em 10
de Novembro de 1974, foi feito o seu balanço, que resultou em mais um
grande êxito, com a inscrição de novos sócios, mediante quota de 100
escudos anual, tendo-se distribuído o projecto de estatutos, já
aprovado, para avaliar da sua aceitação, sendo a opinião geral favorável
e considerado ajustado, pelo que se concluiu na necessidade de angariar
fundos para pagar a publicação dos estatutos, bem como a escritura,
ficando o Dr. Seabra de encontrar um Notário.
Apesar de mais um êxito,
nada de mais relevante aconteceu até à data da escritura, altura em que
as dificuldades se avolumaram, tendo a Comissão Instaladora, nesta fase,
travado uma luta tremenda, face às tentativas de ocupação das nossas
instalações, como veremos adiante.
Legalizada a Casa, havia a
necessidade de se trabalhar no sentido de haver eleições para os corpos
gerentes, continuando a procura de um espaço, surgindo em 18 de Março
1975, uma proposta do Dr. Seabra com o arrendamento do 2.º andar para
sede da associação. Negociou pessoalmente, uma renda de 6000 escudos,
aumentando depois 1000 escudos em cada ano. Esta verba era avultada e
proibitiva, mas face às renitências de todos os
outros, o Dr. Seabra propôs instalar, provisoriamente, um lar em duas
das salas, que estavam separadas por uma porta envidraçada. A proposta
não mereceu aceitação unânime, mas foram-lhe dados plenos poderes para
negociar. Estas peripécias serão relatadas num próximo escrito.
Na reunião de 4 de Abril, o
Dr. Seabra disse ter assinado contrato-promessa de arrendamento do 2.º
andar. Avisou a Câmara de Lisboa do aluguer, para que o andar saísse da
lista de casa devolutas. Isto provocou uma corrida de gente que queria
ocupar a casa. Um grupo tentou mesmo ocupá-la à força, arrombando a
porta. O Dr. Seabra acendeu lá um candeeiro, que ficava aceso toda a
noite, para dar a perceber que o andar já estava ocupado. Instalou mesmo
lá, uma empregada da sua casa de repouso, que mantinha a luz acesa,
abrindo e limpando as janelas, de dia, para ser vista.
O advogado do senhorio e o
Dr. Seabra deslocaram-se à Câmara Municipal de Lisboa, pondo um traço
vermelho em ziguezague sobre a casa, em vez de um traço grosso, como
estava determinado. Na Junta Freguesia de Arroios também puseram um
traço azul débil e na Junta de Freguesia do Alto do Pina, nada
conseguiram.
Ainda neste dia, de manhã,
após nova tentativa de ocupação, apareceu um polícia que queria alugar a
casa a familiares. A empregada do Dr. Seabra abriu-lhe a porta e
chamou-lhe a atenção para um papel colado na porta, indicando que a casa
pertencia à Casa do Concelho do Sabugal, sendo ela empregada do Sr.
Presidente. O polícia pediu para ver o contrato de arrendamento,
respondendo-lhe a dita, nada saber sobre isso.
Durante a semana seguinte
continuaram as ameaças de ocupação, por gente que considerava a casa
desabitada, pelo que em 8 de Abril decidiu-se passar a fazer as reuniões
na novíssima sede da C.C. Sabugal. Foram pedidos orçamentos para a
instalação eléctrica, mas como eram tão elevados, nenhum foi aceite.
Na reunião seguinte, o João
Leitão ofereceu uma placa com o nome da Casa, que foi colocada na porta.
É preciso notar, que
durante este período conturbado, era hábito a ocupação de prédios ou
andares devolutos, coisa normal na época. Em relação à Casa é justo
salientar, que o Dr. Seabra travou uma luta tremenda nas Juntas de
Freguesias atrás referidas, acrescida ainda da Freguesia de S. João de
Deus e com as Comissões de Moradores, visto que havia uma grande
corrente para nos ocuparem a Casa, porque argumentavam, não se
justificava uma casa para divertimentos, numa altura que havia tanta
falta de habitação. Foi preciso uma explicação convincente do Dr.
Seabra, provando-lhes que a associação se destinava a outro fim social
diferente, porque se propunha colaborar nos interesses morais e
materiais de um dos Concelhos mais atrasados do País, levando a melhor,
dentro da legalidade, sobre todos os que tentaram as ocupações.
Assim decorreu esta luta
durante algum tempo, com o resultado que se conhece, a casa sobreviveu a
esta fase deveras complicada.
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CAPÍTULO 7
Face aos parcos recursos
existentes e à falta de receitas, assegurada a sede ideal, como vimos no
último artigo, vamos relembrar os factos da origem desta.
O Dr. Seabra era sócio do
Lar Maria Cristina, situado no 3.º andar e tinha já um conhecimento
antecipado, do andar vago no 2.º piso.
Estava então, encontrada a
solução e engendrou um plano, sem o revelar a ninguém, que consistia na
ampliação do Lar já existente, com o andar de baixo, criando um Lar ou
Casa de Repouso, que se viria a denominar “Casa de Repouso da Casa do
Concelho do Sabugal”, permitindo assim, minorar os problemas
financeiros, fazendo face a esta despesa da renda, com as custas para o
Lar Maria Cristina e, conseguindo, ao mesmo tempo, uma sede para a novel
associação, ainda que condicionada a ter companhia. Esta era a sua
solução, mas não chegou a ir avante, como veremos.
Nos primeiros dias de Março
de 1975, comunicou ao Sr. Alberto Gata e Sr. Adelino Dias, a existência
de uma casa em boas condições para a futura sede, que não era cara e não
muito longe dali, marcando um encontro com os dois, para o dia seguinte,
no Lar Maria Cristina, para verificarem a casa.
Ao outro dia, apenas
compareceu o Sr. Dias. Desceram ambos as escadas e o Dr. Seabra sacou de
umas chaves do bolso do casaco, abrindo a porta, exclamando para o
acompanhante: “É aqui”.
A casa era igualzinha à
Casa das Beiras, onde reuniam, questionando o Sr. Adelino Dias, onde
iriam arranjar o dinheiro para a renda. Fazendo bem as contas, nesta
altura, a casa tinha cerca de 100 sócios, o que dava uma receita de
10.000 escudos por ano, caso todos pagassem as quotas. O valor da renda
custava 72.000 escudos por ano, como iria a Casa assegurar receitas para
a despesa desta? O Dr. Seabra que já tinha tudo estudado, respondeu que
não havia problema, o senhorio oferecia os três primeiros meses de
renda, caso este projecto avançasse, a saber: Março, Abril e Maio, sendo
esta no valor de 6.000 escudos. O resto das custas seria suportado pelo
Lar Maria Cristina.
É precisamente nesta
altura, que o plano engendrado é revelado pela primeira vez ao Sr. Dias,
concordando este, com a solução proposta, embora pensasse que não era o
mais adequado para uma associação, que iria ter o seu movimento e
animação próprios, mas ainda assim aceitou, por se tratar da solução
mais fácil, até que se encontrasse uma outra alternativa melhor.
O Dr. Seabra não foi de
modas, sem nada revelar ao Sr. Dias, encomendou logo a mobília para os
dois quartos, mais umas mesas e cadeiras, perspectivando o andar
repartido entre a sede da Casa e a tal Casa de Repouso, conforme acima
descrevemos.
Acertada entre os dois,
esta estratégia, era necessário marcar uma reunião da Comissão
Instaladora, afim de ser comunicado e discutido este plano. Esta viria a
ter lugar no dia 18 de Março de 1975, conforme referimos no último
escrito. A ela voltaremos.
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CAPÍTULO 8
A reunião de 18
de Março de 1975 da Comissão Instaladora decorreu muito acalorada,
gerando acesas discussões, pois os outros elementos, embora reconhecendo
a necessidade da casa para a sede, não quiseram aceitar a ideia de ter
um Lar dentro da Casa, pois não era nada adequado, visto se irem
realizar no seu interior bailes, convívios e reuniões, que não eram nada
propicias ao descanso e silêncio necessários para o fim a que se
destinava, além de que esta situação custava dinheiro e este não
abundava, pelo contrário, mal dava para pagar a publicação dos estatutos
no Diário do Governo, tendo ainda, de instalar convenientemente os
pensionistas e alimentá-los.
Como a discussão se arrastou por tempo demasiado,
decidiu o Dr. Seabra tomar a responsabilidade de alugar o andar vago,
conforme anteriormente já referimos, em nome da Casa do Concelho de
Sabugal, doando 18 contos, para pagamento dos três primeiros meses de
renda, desistindo do projecto de ampliar o Lar Maria Cristina.
Mesmo assim, em relação ao Lar ou casa de Repouso, registava-se um
empate nas opiniões, como estas estavam divididas, decidiu-se convocar,
para um mês depois, dia 18 de Abril de 1975, uma assembleia de sócios,
que reuniu com cerca de 42 sócios, onde foram apresentados os trabalhos
da Comissão, surgindo várias propostas para se arranjarem fundos para
pagar a renda, tais como: serviço de bar - difícil de implementar;
aumento das quotas - rejeitado; aluguer de dois quartos - cortava espaço
à sede; inscrição de mais sócios - muito moroso; bailes e festas -
também moroso; admissão de hóspedes - a Assembleia Geral rejeitou, assim
como a criação do Lar ou Casa de Repouso.
Rejeitadas todas as propostas, não se chegando a conclusões, no final da
assembleia, fez-se uma subscrição pelos presentes, tendo-se arranjado
algum dinheiro.
Constatamos que desta assembleia não saiu nada de concreto sobre
receitas para a renda da casa e outras despesas e, na reunião do dia 24
de Julho de 1975, verificou-se alguma apreensão na Comissão Instaladora,
devido à situação precária da casa, concluindo-se, que se não se
criassem receitas que cobrissem as despesas, a Casa podia acabar.
A renda deste novo espaço era cara para a época, para que se tenha uma
ideia, os vencimentos eram muito baixos, na altura, em todos os
sectores, a maioria do pessoal jovem, que acompanhava este processo
ganhava à volta dos 3 a 4 contos, 15 a 20 euros mensalmente. Uma
fortuna! … Por aqui se podem aquilatar as dificuldades.
Depois de todas as recusas em alugar algo da Casa, sem receitas nem
recursos, caindo o plano apresentado, é então que o Sr. Adelino Dias
sugere que se arrendem dois quartos já mobilados com camas, ao Dr.
Seabra pela importância dos 6.000 escudos, valor do aluguer da Casa, de
forma a garantir o pagamento da renda, para salvar a associação, à falta
de mais alternativas.
O Dr. Seabra aceitou esta sugestão, movido pelo propósito de contribuir
para a melhoria da situação financeira da C.C. Sabugal, com início em 1
de Agosto de 1975.
Esta decisão gerou ainda mais discussões, levando Fitz Quintela, José
Roque e José Paula da C.I. e ainda, João Leitão e José Correia, que
ajudavam esta Comissão, a um distanciamento deste processo,
afastando-se, durante algum tempo da Casa.
Foram então arrendados dois quartos, durante alguns meses, viabilizando
assim a sede, embora não fosse agradável, conviver com estranhos, para
muitos de nós que frequentávamos a sede, era uma sensação esquisita, mas
foi a única solução encontrada, não sendo fácil, como se calcula,
libertando-a do ónus da renda, permitindo-lhe sobreviver.
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CAPÍTULO 9
Solucionado o problema da
renda, com o aluguer de dois quartos, conforme já descrevemos, levando a
uma cisão de alguns elementos, havia que seguir em frente, apesar deste
contratempo.
Como a Casa nada tinha,
teve que se improvisar nos primeiros tempos, devido à utilização
antecipada do andar, conforme factos de escritos anteriores e, foi
graças, mais uma vez, ao Dr. Seabra que se conseguiram os primeiros
pertences, como mesas, cadeiras e o indispensável para as reuniões,
iniciando-se uma campanha de angariação de mais alguns bens considerados
importantes, tais como uma televisão, máquina de escrever, esta
oferecida pelo Dr. Seabra e outros utensílios, que eram bem-vindos nesta
fase, de pouco ou nada haver. Apenas a boa vontade tudo foi superando,
já que dinheiro, apenas o das quotas anuais, 100 escudos, dos poucos
sócios existentes, não chegando para a renda, luz e água, que eram as
despesas básicas no começo.
Pelo meio, outros factos
aconteceram, que merecem uma referência.
O bar teve a sua
inauguração, com a oferta de uma garrafa de Brandy, oferecida pelo João
Leitão e José Paula, visto nada existir, nem sequer o balcão, sendo as
bebidas pagas a um preço superior ao que se pagava cá fora, servindo
para angariar mais algumas receitas.
Decidiu, ainda, a Comissão
Instaladora marcar uma semana de actividades para Julho de 1975, com um
programa aliciante, que englobava projecção de slides do Concelho,
reuniões de associações locais, variedades de naturais da região,
debates sobre emigração, tarde desportiva, culminando com um convívio,
no Colégio dos Maristas.
Um pintor espanhol mostrou
o desejo de expor na Casa, decidindo-se então, divulgar que existia um
salão com capacidade para receber casamentos e baptizados, podendo as
instalações serem cedidas pelo preço de 750$00. Com esta decisão,
cedeu-se a Casa para o “copo de água” do casamento de um colega por esta
quantia.
Com o entusiasmo a
aumentar, crescia o consumo no bar e os donativos, o número de sócios
aumentava a olhos vistos, atingindo-se cerca de duas centenas,
originando mais receitas, havendo ainda muitas ofertas para o bar e o
salão.
São publicados os estatutos
no Diário do Governo n.º 116, III série, em 20 de Maio de 1975 com um
custo de 9.479$00, na moeda vigente, faltando ainda, a sua publicação
num jornal diário, que implicava mais uma despesa de 3.000$00.
Numa viagem ao Sabugal,
foram encetados contactos com a Comissão Administrativa da Câmara
Municipal, existindo uma grande abertura em relação à Casa, podendo,
muitos problemas virem a ser tratados com a sua colaboração, em Lisboa.
Também aconteceu um contacto com a Viúva Monteiro & Irmão para se fazer
uma excursão a Lisboa, por altura do convívio de 13 de Julho, oferecendo
a Casa as instalações, dentro das suas possibilidades, para a dormida de
alguns excursionistas. A fábrica Cristalina disponibilizou os seus
produtos para serem consumidos na Casa.
Aconteceram ainda tantos
outros factos e histórias, que não foram tão relevantes, cuja memória já
não alcança, mas que, ainda assim, com o seu pecúlio possível,
contribuíram para ajudar ao funcionamento da Casa, a partir de Agosto de
1975.
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CAPÍTULO 10
Antes de se chegar a esta
situação, que permitiu um respirar de alívio e uma aparente
normalização, em termos de receitas, no princípio de Agosto de 1975,
disponibilizou-se o Dr. Seabra a custear a renda da Casa e outras
despesas, enquanto não houve meios para o efeito, vindo a Comissão
Instaladora a fazer um acerto de contas, logo que se proporcionou, sem
qualquer benefício extra, como ele próprio impôs.
Quando as condições o
permitiram, o grupo do jornal “Terra Fria” passou a ter as reuniões na
Casa, para a feitura do jornal, sendo, entretanto, marcadas reuniões
entre este Grupo e a Comissão Instaladora, afim de separar as águas. A
Casa cedia as instalações, não se imiscuindo no Jornal, pois não era sua
função, os assuntos, de certo modo políticos, que nessa altura estavam
na ordem do dia, como se dizia frequentemente, embora fosse extremamente
difícil, dissociar estas emoções, face à situação politica que se vivia
na época. Apesar do momento de algumas convulsões, o jornal Terra Fria
cumpria a sua missão, como não podia deixar de ser, divulgando a Casa e
as suas actividades.
A C. C. Sabugal não tinha
sido criada para esses fins, apesar de prestar o seu apoio a quem o
desejasse e solicitasse, pondo à disposição as suas instalações para os
diversos grupos ou associações das Aldeias, em Lisboa.
Nestas reuniões, o pessoal
de Aldeia da Ponte pretendeu uma tomada de posição dos sabugalenses,
quanto à formação recente da Associação dos Agricultores do Concelho de
Sabugal, mas a Comissão Instaladora absteve-se de tomar qualquer
posição, declarando-se incompetente para tal.
Ainda nesta fase, foram
aceites os pedidos do pessoal de Aldeia da Ponte, Aldeia da Ribeira e
Vila Boa, entre outras, para se reunirem na Casa, tratando dos seus
assuntos.
Também ficou acertado entre
a Comissão Instaladora da Casa, Aldeia da Ponte e Aldeia da Ribeira, que
a Casa receberia, em 24 de Agosto de 1975, um grupo de estudantes
franceses, que vinham a Portugal, para visitarem as duas Aldeias da
Raia, participando em alguns trabalhos de melhoramentos a realizar nesse
Verão, nestas duas localidades e também nas Batocas, juntamente com
alguns militares do Quartel da Guarda, que se disponibilizaram, durante
alguns dias.
Os trabalhos foram,
efectivamente, realizados nestas três localidades, mas sem a presença
dos estudantes franceses, que devido a contratempos inesperados, não se
puderam deslocar a Portugal.
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CAPÍTULO 11
A
Comissão Instaladora trabalhou, afincadamente, para a formação da
primeira lista candidata aos Corpos Sociais, sujeita a eleições, vindo a
ser eleita em Fevereiro de 1976, um ano após a oficialização da Casa,
tomando posse de seguida e iniciando o mandato para que foi eleita.
Convém ainda, recordar aqui, que alguns não acreditaram em todo este
processo desde o seu início, no Instituto Superior Técnico, retirando-se
pouco depois do seu início, só acreditando quando verificaram, que
afinal, a Casa era uma realidade. Segundo consta, “pensaram que a Casa
nunca fosse avante”, ficando até surpreendidos.
Disponibilizados todos estes artigos, sobre o período inicial da Casa,
vamos continuando a dissecar um pouco, esta fase da criação da Casa,
considerada de fundamental importância, porventura ainda desconhecida da
maioria, podendo acontecer uma ou outra falha, ninguém está livre,
algumas coisas poderão não ter sido, exactamente, como as retrato, mas
que não deverá andar muito longe do que venho apresentando, apesar de já
irem longas estas considerações, sobre a Casa do Concelho de Sabugal em
Lisboa.
Pensamos, que é necessário divulgar alguns factos que nos mereceram esta
apreciação, independentemente de outros, que possam ser recordados, pois
só assim se fica a conhecer a história da Associação, apesar de
acontecerem, de certeza, mais momentos, que outros talvez possam
recordar melhor e com mais alguns detalhes.
Ainda mais estão para vir, versando as principais actividades da Casa,
ao longo destas mais de três décadas de vida, nomeadamente, os
convívios, Torneios de Futebol Inter-Aldeias, as Capeias no Campo
Pequeno e arredores de Lisboa, bem como algumas mais, que tentaremos
trazer ao conhecimento de quem acompanha estes escritos.
Para esta
parte dos artigos já disponibilizados, queria desde já formular os meus
agradecimentos ao Paulo Leitão, pelas ajudas preciosas, que me
proporcionou, ao Ramiro Matos pela lembrança de alguns nomes e a alguns
outros que me incentivaram a prosseguir nestas considerações,
contribuindo também para estes artigos, engrandecendo a história da
embaixada sabugalense em Lisboa. |
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CAPÍTULO 12
Parabéns, Casa do Concelho
do Sabugal!...
A instituição Sabugalense
em Lisboa, faz anos.
Completam-se hoje, dia 13
de Fevereiro de 2009, 34 anos de vida, plenos de trabalhos, consumições
e canseiras, dos que tornaram possível o seu nascimento, bem como de
muitos outros, que ao longo destas quase três décadas e meia, muito
deram à Casa, seja contribuindo com a sua quota, seja em todas as
múltiplas realizações, que levou a efeito, muitas delas com relevo
destacável, outras por lá perto, mas com a mesma vontade férrea, que
caracteriza as gentes das terras frias.
Este é um dia especial para
a Casa, como para cada um de nós o é, quando festejamos os anos. Para
este vosso amigo, passou a ser ainda mais especial, pois também fazia
anos a minha Mãe, a ti Delfina. Espero que me perdoem e não me levem a
mal, ao reportar, em público, esta lembrança. É apenas uma coincidência
feliz, este dia 13 de Fevereiro com duplo aniversário.
A caminhada da Casa tem
vindo a ser recordada, ao longo destes últimos tempos, o melhor que nos
é possível, de modo a relevar alguns dos eventos destes anos todos, que
bem merecem todas estas citações.
Faço questão, de deixar
neste espaço, hoje, porque é dia de grandes recordações e emoções, sem
qualquer melindre, seja de quem for, uma justa e singela homenagem a
todos os pioneiros desta empreitada, principalmente aos que já nos
deixaram e, também a alguns outros, que ainda por aí continuam, bem
vivos e de boa saúde, que a tornaram em realidade, transformando-se, nos
dias de hoje, na Casa de todos os Sabugalenses e muitos outros, que já
não dispensam uma visita, seja para encontrar amigos, cavaquear ou
degustar os bons produtos de qualidade, que arribam do nosso Concelho, a
toda a hora e que tão gostosos são, estimulando, cada vez mais, a tal
saudade das nossas origens.
Fazemos parte de uma grande
família, que é o nosso Concelho, com uma cultura apreciável, os recursos
possíveis, várias tradições e tantos outros motivos de interesse, onde
todos nunca são demais, para o tornar mais apetecível, seja através dos
que lá habitam, como daqueles, que estão um pouco mais longe, não o
esquecendo facilmente.
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CAPÍTULO 13
Passada a natural euforia
e, decorrida toda esta árdua luta pela fundação da Casa, no sentido de
manter vivo o sonho de ter em Lisboa uma Associação do Concelho, onde os
sabugalenses tivessem o seu espaço de encontro, importa agora, darmos
atenção às primeiras actividades culturais, desportivas e outras, que
foram sendo levadas a cabo, tanto pela Comissão Instaladora, como pelos
primeiros Corpos Gerentes, eleitos em Fevereiro de 1976.
Uma das boas maneiras de
juntar os naturais da nossa zona em Lisboa, consistiu na realização dos
primeiros convívios, que a Comissão Instaladora providenciou, servindo
para um aproximar das nossas gentes, com muitos jovens a corresponder a
todo este movimento e à oportunidade criada em prol do Concelho.
Em 14 de Julho de 1974 teve
lugar o primeiro convívio, conseguindo-se uma boa participação, com
várias actividades, incluindo um animada quermesse, para angariar
fundos, num belo dia passado no Seminário dos Olivais, seguindo-se o
primeiro Magusto, no Colégio das Irmãs Maristas, em 10 de Novembro de
1974.
No ano seguinte, em 13 de
Junho de 1975, a Comissão Instaladora promoveu, na sede da Casa, uma
semana de actividades culturais, abordando vários temas, a que já nos
referimos anteriormente, culminando com o convívio anual, no mesmo
Colégio das Irmãs Maristas.
No terceiro convívio, em 5
e 6 de Julho de 1976, a novel Direcção da Casa convidou, expressamente,
o Sporting Clube de Sabugal a deslocar-se a Lisboa, para participar
neste evento, tendo-se efectuado um desafio amigável com uma equipa
representativa da Casa, a que nos reportaremos no próximo artigo, onde
iniciaremos alguma descrição das actividades desportivas, levadas a cabo
pela Casa do Concelho, ao longo destes anos.
Com todas estas
realizações, fortaleceu-se, um bom bocado mais, a frequência da Casa,
surgindo, naturalmente, as diversas festas com bailes e outros
divertimentos, numa altura em que subiram consideravelmente, os que
demandavam a sede.
Festa de Natal, Passagem de
Ano, Carnaval, tardes culturais e infantis com alguns artistas, os
Magustos, para além dos convívios, acima referidos, de tudo um pouco foi
programado e levado a cabo, com algum êxito e basta participação.
Todas estas realizações
arrastaram muitos sabugalenses com alguma predominância de uma juventude
irrequieta e desejosa de participar em todos estes eventos. A sede da
Casa, nesta altura, parecia pequena para tantos, que a procuravam, como
foi bom de ver.
Mas não se pense, que foi
só em Lisboa, outras realizações foram levadas ao Concelho, como veremos
aí mais adiante.
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CAPÍTULO 14
O desporto é um dos temas
que me é mais caro, devido a uma pratica constante ao longo da minha
existência, que ainda hoje continuo a cultivar,
reforçada com os múltiplos escritos, disponibilizados ao longo de quase
três décadas, sendo por muitos considerado uma escola de virtudes,
servindo para um aproximar das pessoas congregando novas amizades pois,
através da pratica desportiva, proporcionam-se novos conhecimentos e
reforçam-se os laços que nos unem em torno de uma convivência saudável,
tanto na grande zona arraiana, como por onde permanecemos, ao longo do
ano.
Devido à enorme
proliferação de juventude, nada mais natural, que as actividades
desportivas fossem das primeiras realizações a sério, surgindo em força
nos eventos, complementando outras comemorações, como o habitual
aniversário da Instituição, sempre muito concorrido.
Como referimos no artigo
anterior, no 3.º Convívio, a Direcção da Casa convidou o Sporting Clube
do Sabugal, nosso ilustre representante do Concelho, em provas
federadas, à época, aceitando, de bom grado, o convite da Casa,
disputando um jogo de Futebol, com a equipa da Casa em 5 de Junho de
1976, véspera do Convívio anual.
A jovem equipa da Casa do
Concelho deu uma boa réplica ao Sporting Clube do Sabugal, vendendo cara
a derrota, que se veio a verificar, com o resultado final de 2-1 a favor
dos convidados, vindos do Concelho, sendo que este foi o menos
importante, num bom jogo de futebol, servindo para iniciar e estreitar
os laços de amizade entre as duas Instituições.
Melhor ainda foi, na sede,
prolongando-se este encontro, tendo a Direcção da Casa presenteado toda
a comitiva e participantes neste jogo de futebol, com um magnífico
jantar.
O Sporting de Sabugal
ofereceu um simpático Galhardete dedicado à Casa, tendo a Direcção da
Casa feito a entrega de um belo troféu à embaixada sabugalense.
Iniciou-se assim esta
convivência com o clube desportivo da novel Cidade do Sabugal,
retribuindo a equipa da Casa a visita à sede do Concelho, no ano
seguinte em 1977, verificando-se um resultado ainda mais desnivelado, se
não nos falha a memória, 7-2 a favor do Sporting de Sabugal, numa altura
em que esta equipa estava demasiado forte, para uma equipa da Casa, um
pouco desfalcada, pois nem todos se puderam deslocar ao Sabugal. Não
serve de desculpa, mas o que é um facto, é que a equipa sedeada no
Concelho era demasiado forte, esta é que foi a realidade.
Valeu
pela convivência e amizade recíprocas, que se verificou neste dealbar da
Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa.
Por altura de 1981, em 31
de Outubro, terá tido lugar mais um encontro no Sabugal, entre ambos, em
que não conseguimos apurar nenhuma descrição nem registo do resultado.
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CAPÍTULO 15
Iniciado este périplo pelo desporto, muitos foram os jogos disputados
pela equipa da Casa, com algumas boas exibições e resultados, pensamos
nós, mas não posso deixar de recordar, ficando na memória, um
espectacular encontro entre uma magnífica equipa de Juvenis do Sporting
Clube de Sabugal de 1983
e a nossa equipa da Casa, jogo esse, que teve lugar em 02 de Julho de
1983, no campo de treinos do antigo Estádio José de Alvalade, com um
empate a 3 golos, no tempo regulamentar, seguindo-se o prolongamento,
vindo os jovens juvenis sabugalenses a vencer por 4-3, sendo premiados
com uma bela taça em disputa.
Foi
um extraordinário encontro de futebol, com alternância no marcador,
disputado sob chuva, onde sobressaiu a frescura física, para além de um
grande entrosamento e espírito competitivo, demonstrado pelos juvenis,
aliado ao facto de ter tido uma boa participação no Campeonato Nacional
de Juvenis, treinados pelo Sr. Alfredo Alves. Na equipa da casa
notaram-se algumas falhas compreensíveis, devido à falta de treinos,
pois apenas se juntava para estes encontros amigáveis.
Apesar destes resultados menos conseguidos, não se pense que só
aconteceram derrotas da equipa da Casa, antes pelo contrário, a nossa
equipa ganhou a grande maioria dos jogos disputados.
Todos os participantes
foram presenteados com o indispensável e apetitoso almoço na Casa, num
são convívio entre os sabugalenses de Lisboa e os nossos jovens
visitantes, que tiveram um justo e merecido prémio, nesta deslocação a
Lisboa
Em
relação ao Sporting Clube do Sabugal, muitos mais encontros se poderiam
ter proporcionado entre ambos, mas o que é um facto, é que nestes anos
todos, poucos mais se efectuaram, fosse por inércia de ambos, ou por
outros motivos, não adiantar chorar sobre o leite derramado, como é
habitual dizer-se.
As
equipas de futebol de 11 da Casa do Concelho do Sabugal foram
disputando, ao longo destes anos, inúmeros encontros particulares com
várias Instituições amigas, sendo de destacar, especialmente, a Rádio
Televisão Portuguesa, devendo-se a uma relação sólida entre a Casa de
Pessoal da RTP e a Casa do Concelho de Sabugal, com uma influência
decisiva do Chico Engrácia, como foi bem compreensível, naqueles tempos.
Outros encontros de futebol aconteceram, nomeadamente, com a Casa da
Covilhã, Casa de Tomar, Pampilhosa da Serra, Casa de Ourém, Casa de
Lafões, o INE e outras empresas, juntando ainda, algumas Aldeias do
Concelho, retribuindo as visitas, participando e abrilhantando, também,
alguns aniversários destas Casas mencionadas, bem como alguns Torneios
de Futebol de 5, para os quais a equipa foi convidada a participar.
Em
todas as participações desportivas, tentou-se apresentar a melhor equipa
possível, com alguma competitividade, a quem as Direcções da Casa sempre
ficaram agradecidas, pela disponibilidade, esforço e comparência dos
associados nestes eventos.
Foram sempre
marcos importantes, os aniversários da Casa, em Fevereiro, pois permitia
um reencontro de desportistas sabugalenses em Lisboa, começando aqui,
por esta altura, a génese dos vários Torneios Inter-Aldeias de Futebol
de 5, organizados pela Casa em Lisboa, a quem daremos algum destaque.
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CAPÍTULO 16
HISTORIAL
DOS TORNEIOS INTER-ALDEIAS DE FUTEBOL DE 5
Aldeia da
Ponte é uma das equipas mais antigas e com presenças regulares em todos
os Torneios Inter-Aldeias de futebol de Salão, organização anual da Casa
do Concelho de Sabugal em Lisboa, com início em 1977, dois anos depois
da sua fundação.
Cedo, a Casa
meteu ombros a diversas realizações, afim de cumprir as funções para que
foi criada. De entre estas realizações, destaca-se a organização
inédita, a nível de Casas Regionais, sediadas em Lisboa, do Torneio de
Futebol de salão Inter-Aldeias, mais tarde transformado em futebol de 5,
englobando as Aldeias do Concelho de Sabugal e outras Aldeias vizinhas,
disputando uma competição desportiva deveras entusiástica, estando assim
reunidas as condições para se considerar o Torneio Inter-Aldeias um dos
pontos mais altos das realizações da C.C. de Sabugal, a par da Capeia
Arraiana, ponto de encontro anualmente no Campo Pequeno, como é do
conhecimento generalizado.
O Torneio
Inter-Aldeias de Futebol de 5 mobilizou, todos os anos, centenas de
associados entre participantes e acompanhantes, durante cerca de três
meses, de Março a Maio, aos fins de semana, permitindo um convívio tão à
nossa maneira, um reencontro por diversas vezes adiado, o matar saudades
e o desfilar de inúmeras recordações e histórias passadas nas nossas
Aldeias, relembradas a preceito, por todos os que acompanharam
anualmente o Torneio, e para além disto, que já não é pouco, a
competição propriamente dita, com a disputa acesa de um sem número de
jogos, derbies renhidos entre Aldeias, absolutamente bem jogados, onde
os resultados foram arduamente discutidos palmo a palmo até ao último
segundo, tornando a prova deveras emotiva, contribuindo para a subida de
qualidade ano após ano, com a discussão pela vitória final no Torneio, a
ser discutida até à derradeira jornada.
Depois de uma
atenta e apurada pesquisa, elaborámos este quadro para que os que
acompanham estas coisas do desporto, tenham uma ideia mais completa da
realização de todos os torneios, com início em 1997, apenas com duas
falhas, em 1990 e 1992.
Algumas
curiosidades na análise do quadro permitem verificar que a equipa dos
Foios conquistou o Torneio por sete vezes, Aldeia do Bispo-A seis vezes,
Ozendo três vezes, Aldeia da Ponte duas vezes e Nave de Haver-A, Quinaz,
Ade e Aldeia de Santo António com um triunfo cada.
Realce para a
participação com duas equipas das seguintes Aldeias: Aldeia do Bispo,
Aldeia da Ponte, Foios e Nave de Haver. Para que conste, Nave de Haver
alinhou com três equipas nos últimos anos, constituindo um “record” de
presença.
Outra
curiosidade tem a ver com a conquista do torneio pelas duas equipas de
Aldeia da Ponte. A equipa A, em 1983 e a equipa B, em 1987, proeza
apenas conseguida pela nossa Aldeia em todo o historial da competição.
Destaque ainda
para os sete triunfos de Melhor Marcador na prova, do Quim Bicheiro de
Aldeia da Ponte, que constituiu “record” no Torneio, sendo seis
consecutivos e também, os cinco consecutivos de Pedro Rosa, de Aldeia do
Bispo-A.
Saliência para
os diversos lugares de honra, onde predominam as equipas de Aldeia da
Ponte, Aldeia do Bispo, Foios e Sabugal, crónicos candidatos à vitória
na prova.
A nossa Aldeia
conquistou por diversas vezes a taça Disciplina Tó Chorão, e a taça
Simpatia oferecida pelo Francisco Engrácia, assim como outras mais
Aldeias também.
Todos os
nossos troféus conquistados estão expostos no bar, as Escolas, em Aldeia
da Ponte, juntamente com muitas outras taças de diversos acontecimentos
desportivos.
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TORNEIOS INTER-ALDEIAS
DE FUTEBOL DE 5 |
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ANO |
1º LUGAR |
2º LUGAR |
3º LUGAR |
M.MARCADOR |
GOLOS |
ALDEIA |
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1977 |
OZENDO |
A. PONTE |
FOIOS |
JOSÉ TAVARES |
24 |
FOIOS |
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1978 |
OZENDO |
A. BISPO |
FOIOS |
JOSÉ TAVARES |
32 |
FOIOS |
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1979 |
FOIOS |
A |
A |
A |
A |
A |
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1980 |
OZENDO |
PENALOBO |
FOIOS |
A |
A |
A |
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1981 |
FOIOS |
QUADRAZAIS |
N. HAVER |
A |
A |
A |
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1982 |
FOIOS |
A. PONTE |
N. HAVER |
NASCIMENTO |
18 |
QUADRAZAIS |
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1983 |
A. PONTE-A |
A. BISPO-A |
FOIOS |
QUIM BICHEIRO |
14 |
A. PONTE-A |
|
1984 |
N. HAVER |
FOIOS |
A. PONTE-A |
QUIM BICHEIRO |
24 |
A. PONTE-A |
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1985 |
A. BISPO-A |
N. HAVER-A |
A. PONTE-A |
QUIM BICHEIRO |
21 |
A. PONTE-A |
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1986 |
A. BISPO-A |
ALFAIATES |
A. PONTE-A |
QUIM BICHEIRO |
42 |
A. PONTE-A |
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1987 |
A. PONTE-B |
A. BISPO-A |
AMIGOS RAIA |
QUIM BICHEIRO |
18 |
A. PONTE-A |
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1988 |
QUINAZ |
A. BISPO-A |
A. PONTE-A |
QUIM BICHEIRO |
16 |
A. PONTE-A |
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1989 |
ADE |
N. HAVER |
A. BISPO |
TEIXEIRA |
A |
ADE |
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1990 |
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1991 |
A. BISPO-A |
A. PONTE-A |
FOIOS |
QUIM BICHEIRO |
14 |
A. PONTE-A |
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1992 |
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1993 |
A. BISPO-A |
A. PONTE-A |
S. ESTÊVÃO |
PEDRO ROSA |
17 |
A. BISPO-A |
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1994 |
A. BISPO-A |
FOIOS |
A.S.ANTÓNIO |
PEDRO ROSA |
29 |
A. BISPO-A |
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1995 |
A. BISPO-A |
A. PONTE-A |
PENALOBO |
PEDRO ROSA |
32 |
A. BISPO-A |
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1996 |
FOIOS |
SABUGAL |
A. BISPO - A |
PEDRO ROSA |
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33 |
A. BISPO-A |
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1997 |
FOIOS |
SABUGAL |
N. HAVER - B |
PEDRO ROSA |
22 |
A. BISPO-A |
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1998 |
FOIOS |
SABUGAL |
A.S.ANTÓNIO |
BRUNO TENDEIRO |
22 |
N. HAVER - B |
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1999 |
A. S. ANTÓNIO |
SABUGAL |
FOIOS |
JOSÉ RAMOS |
38 |
A.S.ANTÓNIO |
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2000 |
FOIOS |
SABUGAL |
A.S.ANTÓNIO |
JOSÉ RAMOS |
46 |
A.S.ANTÓNIO |
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1990 E 1992 O TORNEIO NÃO SE EFECTUOU |
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A - NÃO HÁ DADOS REFERENTE A ESTES ESPAÇOS |
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CAPÍTULO 17
1.º
TORNEIO FUTEBOL DE SALÃO INTER-ALDEIAS – 1977
Iniciado este
périplo pelo desporto, trazemos à estampa neste escrito, o primeiro
Torneio de Futebol de Salão Inter-Aldeias, organizado pela Casa do
Concelho de Sabugal em Lisboa, disputado no Ringue do Império do
Cruzeiro, provocando uma grande euforia na juventude sabugalense em
Lisboa.
Como referimos
no quadro disponibilizado no artigo anterior, em 1977 tem início o
Torneio de Futebol de Salão Inter-Aldeias, congregando um sem número de
Sabugalenses, durante cerca de três meses, uma saga que se prolongará
até ao ano de 2000, com a realização de vinte e duas edições, apenas com
dois anos em branco, proporcionando um convívio e muitos reencontros,
por vezes, inesperados.
A revista “O
Concelho de Sabugal” da época, publica a nossa opinião sobre o Torneio,
mas há dois episódios que merecem uma referência, que custou bem caro à
equipa de Aldeia da Ponte, embora isto, já nada altere.
O que é certo, é que a
todos nós desgostou, na altura, de nada valendo os argumentos da maioria
dos delegados, para alterar uma das decisões polémicas da Direcção da
Casa, como adiante veremos, privando a equipa de Aldeia da Ponte da
conquista do título e o melhor marcador, mais que merecidos pois, sem
desprimor para as outras equipas, a nossa Aldeia foi a melhor do
Torneio, reconhecido por quase todos os participantes.
Na fase final,
onde estavam as seis equipas finalistas, o jogo Sabugal-Ozendo terminou
quando a equipa do Ozendo ficou reduzida a três jogadores, por expulsão
de dois jogadores, quando faltavam mais de 15 minutos para o termo do
encontro, verificando-se o resultado na altura de 1-0 a favor do Ozendo.
O resultado que contou foi mesmo este 1-0, que valeu os dois pontos a
esta equipa, que teve as expulsões, saindo beneficiada com esta
anormalidade.
Protesto
veemente de todas as outras equipas, que levou a Direcção da Casa a
convocar uma reunião extraordinária com os delegados das equipas, para
analisar o assunto, tendo a Direcção da Casa decidido pela manutenção do
resultado que se verificava, quando o jogo foi interrompido,
beneficiando a equipa do Ozendo, excluindo, apenas, do Torneio os dois
elementos expulsos. Premiou-se a indisciplina em detrimento de todos os
outros e do bom senso, ficando-se por esta decisão inexplicável da
Direcção da Casa, que não se conseguiu entender, prejudicando,
claramente, a equipa da nossa Aldeia.
O segundo
episódio também tem algo de caricato, senão vejamos. Decorria o jogo
Aldeia da Ponte-Sabugal, ao intervalo o resultado cifrava-se em 7-0 a
favor de Aldeia da Ponte. Perante este resultado, a equipa do Sabugal
recusou-se a efectuar a 2.ª parte, pois também tinha um jogador a lutar
para o melhor marcador, impedindo o melhor marcador da equipa de Aldeia
da Ponte de marcar mais golos, para não ser ultrapassado, acabando com
esta atitude, por favorecer o marcador de uma outra equipa. O resultado
que contou foi mesmo o 7-0, que se verificava ao intervalo, a favor da
equipa de Aldeia da Ponte, não se concluindo o jogo.
Estes dois
episódios retrataram bem a falta de experiência e a incoerência da
Organização e da Direcção da C.C. Sabugal neste 1.º Torneio, insensível
aos argumentos, de quase todos os delegados, prejudicando sem apelo a
nossa equipa.
Passados
tantos anos, não se pense que os ressentimentos não passaram, claro que
passaram, mas doeram bastante, nessa altura, tendo como consequência, no
ano seguinte, o enfraquecimento da nossa equipa, pois alguns elementos
já não quiseram participar, devido a estas injustiças.
É, apenas,
mais um pouco de história e nada mais que isso, já que estamos com a mão
na “massa” como se costuma dizer.
Resta
acrescentar que este primeiro Torneio teve a participação de 15 Aldeias
do Concelho de Sabugal em Lisboa e, para além destas incidências
frustrantes, iniciou este longo historial dos Torneios.
Aldeia da
Ponte participou neste 1.º Torneio com os elementos seguintes: Esteves,
Zé Bilo, Manuel Nobre Bilo, Zé Manuel Tourais, João Bernardo, Manuel
Peres, Emílio Bonifácio, José Cunha, José Reis e Joaquim Matos.
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